Encontro teve o objetivo de promover o intercâmbio cultural para a promoção do artesanato das rendeiras sergipanas

Sergipe voltou ao cenário nacional como vitrine de valorização de costumes e tradições, onde a cultura vem sendo abraçada como ferramenta de ampliação comercial. Após a concretização do Arraiá do Povo e resgate do título de ‘país do forró’, o Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomercio) dá um importante passo para a promoção cultural e comercial entre Sergipe e Irlanda.
A convite do Governo do Estado, o embaixador da Irlanda no Brasil, Seán Hoy, está em Sergipe para conhecer a renda irlandesa, produzida no município de Divina Pastora, leste sergipano. A visita tem como objetivos apresentar a produção do artesanato, associações relacionadas e dos principais personagens envolvidos na história e cultura, além de tratar a viabilidade de exposições, cursos e feiras no exterior e fortalecer os laços e negócios entre o estado de Sergipe e a Irlanda.
A secretária de Estado da Assistência Social e Cidadania (Seasc), Érica Mitidieri, ao lado do governador Fábio Mitidieri, recepcionou o embaixador e seguiram juntos para a agenda no município de Divina Pastora. A solenidade de recepção aconteceu no Santuário Nossa Senhora Divina Pastora, com as apresentações culturais dos grupos de Chegança e Samba de Roda, apresentação das rendas produzidas por representantes de três associações de rendeiras existentes no município e a Associação dos Artesãos, Pequenos Agricultores, Pecuaristas, Renda Irlandesa, Rendendê e Outros (Apric).
Érica Mitidieri celebrou o momento de valorização da história e do povo sergipano. Ela disse que este é um importante passo para quebrar as barreiras culturais e trazer mais desenvolvimento para o estado. “Este momento é muito importante para a produção local da nossa renda irlandesa. Esse contato aproxima o que temos de semelhantes. É um momento de encontro que, com toda certeza, nos trará bons frutos para essas mulheres rendeiras que fazem parte da história viva de Sergipe”, disse.
O governador Fábio Mitidieri falou sobre as expectativas com o intercâmbio e enfatizou que Sergipe se mostra atento às mudanças e oportunidades que a globalização e a tecnologia oferecem para a manutenção, ampliação e preservação da cultura popular que gera emprego, valor e é responsável pela identidade do nosso estado. “A tecnologia veio para facilitar as negociações, diversos países, empresas estão se tornando mais próximas, e nós, enquanto governo, buscamos sempre parcerias que garantam segurança, qualidade e retorno significativo para o nosso estado. Essa troca é fundamental para que as barreiras sejam superadas e para que possamos estreitar os laços não só culturalmente, como também comercialmente, e proporcionar a oportunidade para exportação dessa arte, que é produzida apenas aqui no estado de Sergipe”, avaliou o governador.
Mitidieri também destacou o trabalho que o Governo do Estado tem desempenhado para o fortalecimento do artesanato sergipano. Ele lembrou que durante os festejos juninos foi preparado um espaço muito especial para que fosse comercializada a renda irlandesa, no Arraiá do Povo, Orla da Atalaia.
Após a mesa de apresentação histórica do artesanato e falas de autoridades, o embaixador Seán Hoy agradeceu ao governador Fábio Mitidieri e disse esperar que a parceria entre Sergipe e Irlanda traga bons frutos. “Para mim, hoje é um dia muito especial aqui no Brasil. Espero que esse casamento entre Sergipe e Irlanda traga bons frutos comerciais. Teremos o encontro entre Irlanda e países da América Latina e espero que o governador Fábio Mitidieri participe”, convidou.
A mesa encerrou com apresentação de cordel e hinos das padroeiras de Sergipe e da Irlanda. Além da renda irlandesa, outros produtos foram apresentados para o embaixador, como potencialidades a serem exploradas para exportação, a exemplo do bordado de Richelieu, produzido no município de Tobias Barreto. A comitiva chega nesta tarde a Aracaju para participar da apresentação dos potenciais de Sergipe, no auditório do Museu da Gente Sergipana, e logo mais à noite estarão presentes no Arraiá do Povo.
Renda irlandesa
A renda irlandesa é reconhecida pelo Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural do Brasil. Mais do que esse reconhecimento, a renda irlandesa tem possibilitado a inclusão produtiva, o associativismo e, acima de tudo, tem contribuído para o desenvolvimento social e dar visibilidade mundial a um pequeno município de Sergipe.
A renda irlandesa surgiu na Europa, possivelmente no Norte da Itália, entre os séculos XVI e XVII. A arte foi difundida para o mundo e aqui no Brasil foi trazida pelas damas da sociedade que vinham da Europa no final do século XVIII. Ela é caracterizada pelo uso do lacê, uma espécie de cordão sedoso, e produzida com linha e agulha, seguindo o desenho feito em um papel grosso, formando uma variada combinação de pontos.
Em 2009, a renda irlandesa de Sergipe se tornou patrimônio cultural do Brasil e foi incluída no livro de registro e saberes do Iphan. A renda irlandesa de Divina Pastora possui selo geográfico que valoriza ainda mais as peças produzidas.
Sergipe é o maior produtor mundial de renda irlandesa. No estado, Divina Pastora é o município que mais se destaca na produção da arte e está situado a 32 quilômetros da capital. Divina Pastora abriga mais de 80% das rendeiras do estado. Elas estão organizadas na Associação para o Desenvolvimento da Renda Irlandesa de Divina Pastora. São produzidos conjuntos de cama, mesa e banho, além de toalhas com motivos religiosos, acessórios para roupas e capa para celular. A associação fornece todo o material e as rendeiras ganham de acordo com o que conseguem produzir.
A renda irlandesa está também presente na alta costura. O estilista Altair Santos tem levado o trabalho das rendeiras de Sergipe para as passarelas do Sul do país e até para a Europa, desde 2000. Altair também levou a renda irlandesa para a televisão e teatro e foi convidado para uma exposição no Museu do Louvre, em Paris, no ano que vem.









































