Projeto de Intervenção em Serviço Social reforça resgate das Identidades Étnico-Raciais de adolescentes egressos de medidas socioeducativas

Cultura da periferia, oficinas e debates fizeram parte do encontro, realizado na Secretaria de Estado da Inclusão Social

Foto: Pritty Reis
Foto: Pritty Reis

Palco para manifestações artísticas e debates, o pátio da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência Social e trabalho (Seit) recebeu egressos da Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip) e alunos dos cursos técnicos do Senac para um produtivo bate-papo em torno da cultura da periferia, com a participação de artistas sergipanos negros dando depoimentos e levantando questões relativas à identidade étnico-racial e seus desdobramentos no meio artístico. O evento foi a culminância do Projeto de Intervenção em Serviço Social “A Cultura da Periferia no Resgate das Identidades Étnico-Raciais: um processo de aquilombamento de corpos e mentes”, realizado a partir da experiência de campo da estagiária curricular da SEIT em Serviço Social, pela Universidade Federal de Sergipe, Ana Paula Lomes.

Foto: Pritty Reis

Trazendo uma metodologia dinâmica e sequencial, o evento foi aberto com a Orquestra de berimbaus dos socioeducandos da Fundação Renascer, que trouxe através dos cantos e toques, histórias relacionadas à Capoeira e ao período escravocrata no Brasil. Ao longo da manhã, houve ainda a exposição do Projeto com Ana Paula Lomes e Amanda Teles, oficinas de mixagem e turbantes, performances artísticas de dança e poesia, além da roda de conversa com representantes da União dos Negros pela Igualdade em Sergipe (Unegro-SE) – todas com o intuito de debater os impactos das questões étnico-raciais na cultura periférica em Sergipe.

“A gente veio reforçar e trazer a reflexão sobre a identidade negra desses jovens, que muitas vezes é marcada negativamente na vida deles. Queremos trazer essa marcação de maneira positiva, dessa identidade e falar também dessa questão dos egressos, sobre essa perspectiva de sonho, de futuro. Pensar como esses jovens podem construir suas vidas, tentando minimizar ao máximo essa marca de ter passado por uma instituição que priva da liberdade. Além disso, viemos falar também sobre consumismo, sobre planos para o futuro e educação financeira”, destacou Thatiana Menezes, vice-presidente da Unegro-SE.

Foto: Pritty Reis

Para o diretor da Fundação Renascer, Wellington Mangueira, trazer os socioeducandos e os egressos para um espaço de debate e aprendizagem é uma das formas de ressocialização e inclusão desses adolescentes na sociedade. “Eu vejo esse movimento que tem como base a integração de população brasileira, com base na negritude, porque nós, que somos de origem negra, sabemos o quanto foi importante na formação histórica do Brasil e o é no presente. Há uma predominância da cultura negra nesse país e ninguém pode dizer que é possível construir um Brasil democrático sem romper com o racismo, com os preconceitos e toda forma de discriminação. Por isso, é primordial que esse tipo de evento aconteça”, disse.

Ana Paula Lomes, responsável pelo projeto de intervenção, ressaltou a importância de pensar de maneira lúdica e através das artes, formas de resistência e fortalecimento da questão étnico-racial em Sergipe. “Temos aqui essas atividades não só como expressão artística, como a cultura do negro – o Hip-hop, a mixagem, a dança e a poesia – mas também, como forma de resistência e luta do povo que historicamente vem sendo exterminado. E nesse sentido, eu não poderia deixar de falar que é por nós, população negra, que esse projeto de intervenção se constitui como forma de resistência, como forma de viver. Pretos e pretas estão se amando e se armando de conhecimento, de coragem, de poder e, por isso, é importante dizer que o contra-ataque da guerra é a arte”, concluiu.

Fotos: Pritty Reis

Última atualização: 18 de dezembro de 2019 19:08.

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