
O espaço do(a) adolescente no meio social foi o foco do Ciclo de Diálogos do CPA, que reuniu virtualmente adolescentes e representantes de instituições envolvidas na agenda de valorização dos Direitos Humanos. No debate, foram colocadas principalmente as dificuldades do grupo para estudar, ter acesso ao lazer e produzir cultura, dentro do contexto das restrições impostas pela pandemia de Covid-19. Também foram debatidos direitos preconizados no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGD).
Iniciativa do Comitê Estadual de Participação de Adolescentes – CPA do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA), através da Comissão de Mobilização e Formação do CEDCA, o encontro virtual aconteceu na última semana, com a participação de adolescentes do NUCA – Núcleo de Cidadania de Adolescentes, vinculado à UNICEF; socioeducandos da Fundação Renascer, Comitês estadual e municipais; além da Vice-Governadoria do Estado (VGE) e da Secretaria de Estado da Inclusão Social (SEIAS). Também participaram conselheiros (as) municipais e estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente e instituições da Assistência Social em Sergipe.
O adolescente William Azevedo faz parte do Comitê de Participação de Adolescentes (CPA Estadual) e representa Sergipe no CPA do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Para ele, a educação à distância, adotada em prevenção ao coronavírus, tem dificultado o aprendizado dos adolescentes. “É uma satisfação participar deste evento tão importante para todos nós, adolescentes. Este primeiro tema é muito importante, pois discute sobre a Educação e retorno às aulas presenciais de milhares de estudantes, crianças e adolescentes. Não está sendo fácil superar as aulas online. Nessa discussão, adolescentes integrantes do Nuca, da Fundação Renascer e dos CPAs cada vez mais estão ganhando força. Quero agradecer a todos que se fazem presentes. ‘Nada sobre nós sem nós!’. Vamos lutar pelos nossos direitos,” defendeu o jovem.

A vice-governadora Eliane Aquino deixou uma mensagem especial aos participantes do Ciclo de Diálogos, reiterando que o Governo do Estado tem adotado todas as medidas para que os estudantes retornem às aulas presenciais com segurança. “Infelizmente, ainda não estamos livres do coronavírus. Precisamos ainda de muita responsabilidade e autocuidado, para que a gente continue fazendo com que os índices do nosso estado diminuam cada vez mais. O uso responsável da máscara é fundamental, juntamente com o distanciamento social e a lavagem das mãos o tempo inteiro. Parabéns pelo evento de jovens e adolescentes. A voz de vocês é fundamental. Não deixem de falar o que vocês pensam. Seja neste espaço, na escola ou na família, nós precisamos muito de vocês, cada vez mais”.
A voz jovem
Com apenas 16 anos, Maria Clara já é poetisa e participa do NUCA. Durante o Ciclo de Diálogos, ela contou como aproveitou o período de isolamento social em Propriá, onde vive, para aprimorar seu talento para a escrita, algo que lhe ajudou a sair da depressão. “No tempo que passei em casa, na quarentena, comecei a escrever poesia. Nunca tinha escrito nenhuma antes. Comecei e foram muitas. Isso foi ficando cada vez mais forte para mim”, revelou. A expressão artística não ficou só no depoimento da nova poetisa. Também contribuíram com apresentações musicais, durante o Ciclo de Diálogos, os socioeducandos da Fundação Renascer acolhidos na Comunidade de Atendimento Socioeducativo de Semiliberdade (CASE- I) e que formam a Orquestra de Berimbau, regida pelo professor Alex Sandro.
O adolescente e cantor Edson de Jesus Santos, da comunidade quilombola Sítios Altos, em Simão Dias, cantou paródias de músicas famosas, falando do protagonismo da juventude e sobre a dificuldade dos estudos online. Ele participa do vídeo da UNICEF sobre o impacto da pandemia na infância e juventude. O vídeo foi exibido por Luiza Leitão, oficial de Desenvolvimento de Adolescentes e Jovens da UNICEF no Brasil. “É muito legal esse Ciclo, oportunidade para que essas vozes sejam cada vez mais ouvidas. A participação cidadã de adolescentes é um direito e está na Constituição, na Convenção sobre dos Direitos da Criança. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) reforça esse direito à participação. No Brasil, 23% da população possui entre 10 e 24 anos. É uma grande parte da população que o Brasil nunca mais vai ter”, analisa a oficial.

Diretora de Inclusão e Direitos Humanos da SEIAS, a assistente social Lídia Anjos destacou a importância de trabalhar Políticas Públicas para a adolescência sem tirar o direito do grupo de opinar. “Nos desafiamos ao falar com adolescentes, quando não somos mais. Que a gente não acabe caindo no deslize de acreditar que podemos falar pelos adolescentes. É impossível pensar espaços de estímulo de promoção de participação se não for a partir deles mesmos”, reforçou. No mesmo sentido, a presidente do CEDCA, Glícia Salmeron, afirmou que as dificuldades para implementar a participação dos adolescentes nos debates do Conselho Estadual foram agravadas com a pandemia. “Nos dificulta, mas acaba acontecendo, com a boa vontade da gestão. Nada disso seria possível se não tivéssemos a participação de adolescentes, eles é que fazem com que isso possa acontecer”, concluiu a presidenta.
Presenças
Entre as presenças virtuais, estavam também: Rute Rosendo, conselheira da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) no CEDCA e representante do Conselho Estadual no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – Conanda e CPA Nacional; além de representantes da FLACSO – Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, que acompanham o CPA Nacional e orienta os CPAs Estaduais.
























