Técnicos do BNDES vão a campo ver resultados dos investimentos nos Arranjos Produtivos Locais

Editais cofinanciados pelo governo de Sergipe investiram quase R$ 7 milhões em pequenas agroindústrias, beneficiando cerca de 1.860 pessoas.

Projeto financiado em Campo do Brito [Foto: Fernando Augusto]

“Mudou completamente a nossa vida, porque antes a gente não vendia a goma de tapioca. Não tínhamos a marca e a máquina de empacotar. Hoje, o produtor tem uma renda a mais. A cooperativa empacota a vácuo e está entrando em vários supermercados aqui em Sergipe, na Bahia e até em São Paulo”. O depoimento é de Carlos Lapa, vice-presidente e administrador da Cooperativa dos Produtores de Mandioca de Campo do Brito (Coofama), beneficiada pelos editais de fomento aos Arranjos Produtivos Locais de Baixa Renda [APLs]. Durante toda a semana, uma equipe do Banco Nacional do Desenvolvimento Social – BNDES esteve em missão em Sergipe, a convite da secretaria de Estado da Inclusão Social, conhecendo experiências exitosas resultantes dos investimentos feitos em cofinanciamento com o Governo de Sergipe, e avaliando a possibilidade de liberação de recursos para incluir mais beneficiários.

Os editais que atenderam a Coofama financiaram a ampliação da fábrica, a aquisição de seis freezers, eletrodomésticos, maquinário para produção dos derivados da mandioca, trator, uma plantadeira de mandioca, um cultivador, uma roçadeira e um subsolador. “A macaxeira hoje é vendida limpinha e fechada a vácuo. Com essas máquinas, nós conseguimos tocar tanto o campo, quanto as casas de farinha, então gerou mais renda. Pra nós, esse projeto caiu do céu, foi uma benção. Nossos produtos estão chegando até em Rondônia, e estamos aguardando uma reunião no dia 19 para saber se nosso produto será exportado para Portugal”, completou Carlos Lapa. Da sua cooperativa, participam 82 produtores, cultivando mais de 30 hectares de mandioca.

Segundo Fábio Maciel, engenheiro do BNDES, a ideia da visita foi levar informações sobre o que vem dando certo nos projetos e o que pode ser melhorado. “O objetivo é, a partir disso, avaliar qual vai ser a continuidade do contrato firmado com o Estado de Sergipe, para apoiar arranjos produtivos locais de baixa renda espalhados pelo território”, disse. Os recursos investidos nos editais são oriundos, parte do Fundo Social do BNDES, e parte do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep), administrado pela secretaria de Estado da Inclusão, Assistência Social e do Trabalho – Seit. Os técnicos do BNDES foram recebidos em reunião preliminar pela vice-governadora Eliane Aquino e pela secretária Lêda Couto, que os acompanharam a visitas técnicas a Itabaiana, Campo do Brito e São Domingos.

Já na quinta-feira a equipe do BNDES foi recebida pelo governador Belivaldo Chagas. “O nosso objetivo é promover o desenvolvimento social apoiando o pequeno produtor local. Esses projetos apoiam, por meio de editais, atividades de produção coletivas de pequena escala de uma série de cadeias produtivas e da agricultura familiar, atendendo diretamente à população que produz e que faz nosso estado crescer. A nossa parceria com o BNDES segue firme e não medirei esforços para que o nosso Estado consiga cada vez mais recursos para investirmos no pequeno produtor sergipano, gerando renda e mudando para melhor a vida dessas pessoas”, destacou o governador.

Secretária da Inclusão à época dos editais de APLs, a vice-governadora Eliane Aquino também defende a continuidade dos projetos e acompanhou a missão do BNDES ao interior do Estado. “Queremos mostrar para o BNDES o quanto a Seit está trabalhando com seriedade e que precisamos do BNDES para continuar beneficiando essas comunidades. Aliás, o BNDES sempre foi um grande parceiro e o que nós queremos é que continue sendo, não só para os APLs, mas para todas as questões que envolvam a área social. Desejo muito que o BNDES continue olhando para o Estado, e que a gente continue cada vez mais melhorando e ampliando os projetos para que consigamos chegar até a população que está lá na ponta, nos pequenos povoados”, afirmou.

No campo
Antes de Campo do Brito, a comitiva visitou a Associação de Produtores Orgânicos do Agreste (Aspoagre), em Itabaiana, podendo conhecer a loja onde os produtores orgânicos comercializam, a sede da entidade e a lavoura agroecológica de um dos 18 sócios. José Firmino, presidente, diz que o caminhão frigorífico adquirido via edital mudou a vida dos associados. “Foi uma benção de caiu do céu, porque a gente tinha dificuldade de carregar mercadoria e, hoje, a gente pega ela resfriada. Foi uma coisa muito boa. Quando a associação não tem o recurso necessário para as despesas, os associados bancam para manter o carro funcionando e com qualidade, pagar o seguro e fazer as revisões dentro do tempo”, conta.

A visitação aos projetos terminou na sede da Associação Comunitária União Dos Estudantes e Agricultores do Estado de Sergipe de São Domingos – Uniagro, onde o presidente Júlio Renovato recebeu a comitiva e explicou a evolução do grupo beneficiado pelos editais com a construção do prédio e aquisição de despolpadeira, embaladeira, liquidificador, ultrafreezer e freezers para a fábrica de polpa de frutas. “A partir desse incentivo, conseguimos adquirir outros equipamentos e ampliar a nossa infraestrutura. O pontapé inicial foi esse projeto. À medida que a gente for tendo lucratividade e fazendo novos canais de mercado, tendemos a crescer e gerar cada vez mais emprego e renda”, disse o líder do grupo que, entre sócios (56) e trabalhadores rurais, emprega mais de 180 pessoas.

Avaliação
Após visitar as entidades, o BNDES avaliou positivamente os projetos. “É evidente que os recursos foram muito bem aplicados. O importante para nós não é ver o efeito físico, é ver o efeito que isso gera nas pessoas. Ver que pessoas que eram colocadas à margem da sociedade, que só conseguiam sobreviver, hoje em dia têm uma vida mais digna, com uma renda mais garantida e a possibilidade de comercializar os produtos de seus trabalhos. É o resultado que a gente queria. Esse é um sinal de excelência; é um grande indicador de que é um trabalho de sucesso”, avaliou Bruno Malburg, engenheiro do BNDES.

A secretária de Estado da Inclusão Social, Lêda Lúcia Couto, ressaltou a importância da visita da equipe do BNDES para a continuidade dos projetos. “Foi essencial, porque eles viram in loco a importância que esses arranjos produtivos locais têm na vida das pessoas. Nós temos ainda em torno de R$ 5 milhões, para discutir a melhor aplicação desses recursos. Então, estamos fazendo o saneamento de todas as questões para, futuramente, solicitar novos recursos. Estamos falando de centenas de produtores que estão com suas vidas modificadas. Foi muito rico, muito bonito perceber as pessoas orgulhosas das suas produções, e como esses recursos, sendo bem utilizados, são capazes de transformar vidas”, concluiu Lêda.

Última atualização: 19 de agosto de 2019 17:16.

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