Sessão foi acompanhada pela referência técnica para Povos e Comunidades Tradicionais e População Negra da Secretaria de Inclusão, Iyá Sônia Oliveira

Em meio ao Mês da Consciência Negra, o município de Estância, no Sul Sergipano, promoveu uma importante ação, na última terça-feira, 16. Em Sessão Ordinária na Câmara de Vereadores, foi outorgado o título de Cidadã Estanciana para a Yalorixá Maria do Carmo Aragão, mais conhecida por Mãe Carminha. Na ocasião, esteve presente a também Yalorixá e referência técnica de Políticas Públicas para Povos e Comunidades Tradicionais e População Negra da Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (SEIAS), Iyá Sônia Oliveira, que discursou em alusão ao Novembro Negro e parabenizou a honraria recebida por Mãe Carminha.

Em sua fala ao público presente, Iyá Sônia Oliveira ressaltou que é preciso desmistificar algumas questões acerca do Novembro Negro. “Precisamos entender que a Consciência Negra não é um tema, e sim uma realidade. É necessário aprofundar e entender as questões que permeiam a nossa população preta que, de acordo com dados do IBGE, ultrapassa os 50% do total que compõe o contingente populacional brasileiro. Da mesma forma que estamos também no mês em alusão à saúde do homem, e esta pauta não deve ser negligenciada pelo resto do ano, as questões acerca da população preta de nosso estado também não devem ser lembradas somente em novembro”.

A homenageada da noite recebeu o carinho de familiares, de amigos e da família de Axé, que estiveram no ato para prestigiá-la. “Agradeço a Câmara de Vereadores por receber a honraria pelo título de Cidadã Estanciana. Saúdo a energia que rege a minha vida, viva Oxum. Saúdo também a minha saudosa Yalorixá Wilma Maria Silva, que nos deixou por conta da pandemia do Covid-19, a quem dedico a minha homenagem de hoje. Reafirmo meu compromisso com a cidade e com os que me acolheram”, disse Mãe Carminha.

A autoria do projeto que homenageia a Yalorixá é do ex-vereador Pedro Benjamin e foi conduzida pelo vereador Kaique Freire (PV), sendo aprovada por unanimidade pela Casa. “Agradeço a oportunidade de presidir a mesa dessa sessão solene que garante o título de cidadania à Mãe Carminha. Sinto-me honrado com a presença de Iyá Sônia, dialogando sobre a importância do Novembro Negro, não como um tema, mas como uma realidade, sobretudo no município de Estância, que é uma cidade composta por uma população em que a maioria é preta”, destacou o vereador.
O vereador reforçou ainda que é de suma importância levar proposições sobre questões apontadas pela população negra à Câmara de Vereadores. “Sobretudo porque, na Câmara, existem pessoas de diversas religiões e, como pontuou Iyá Sônia, o Brasil é um Estado laico e todas religiões devem ser respeitadas”, completou Pedro Benjamin.
| Fotos: Díjna Torres













