Segundo dia da Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente se inicia com oficinas temáticas

O segundo dia da XI Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, que desde a terça-feira (17), reúne cerca de 500 pessoas em torno de discussões do tema “proteção integral, diversidade e enfrentamento das violências”, foi aberto pela apresentação cultural dos socioeducandos da Fundação Renascer. Ainda durante a manhã, foram realizadas oficinas temáticas com grupos de trabalhos simultâneos.

Nelas, foram discutidos cinco eixos temáticos: Garantia dos Direitos e Políticas Públicas Integradas e de Inclusão Social; Prevenção e Enfrentamento da Violência Contra Crianças e Adolescentes; Orçamento e Financiamento das Políticas para Crianças e Adolescentes; Participação, Comunicação Social e Protagonismo de Crianças e Adolescentes; e Espaço de Gestão e Controle Social das Políticas Públicas de Crianças e Adolescentes.

Segundo o facilitador da oficina de Participação, Comunicação Social e Protagonismo de Crianças e Adolescentes, Felipe Pereira, o objetivo da oficina foi trazer à discussão temas que estão intrínsecos na sociedade, mas que são pouco discutidos. “A gente ainda não tem a ideal representatividade dos diversos segmentos da população brasileira, principalmente das crianças e adolescentes, nos meios de comunicação. Então, um dos caminhos que precisamos trilhar é fazer com que eles possam se enxergar dentro do fazer comunicação ou do consumir comunicação, para exercer o protagonismo”, relatou.

O estudante natural do município de Simão Dias, Ivan Souza (19 anos) conta que se interessou por esse eixo pela oportunidade de trazer o jovem para um momento de compartilhamento de ideias. “É uma forma de trazer mentes pensantes dessa faixa etária para expor o que eles realmente querem. Nós queremos que a nossa voz seja ouvida e falar como a gente se sente na sociedade. Essa oficina dá a oportunidade ao jovem de conseguir expor o que ele pensa, pois nossa sociedade é composta pela vivência de todos, e o jovem como protagonista é uma forma de impulsionar todos os jovens a expor também a sua realidade”, pontuou.

Delegada da Polícia Civil, Roberta Fontes foi a facilitadora do eixo de Orçamento e Financiamento das Políticas para Crianças e Adolescentes. Ela parabenizou a organização da Conferência e falou sobre a importância das oficinas. “Essas oficinas são muito importantes. No meu caso, vou poder explicar mais sobre minha realidade como delegada de polícia, falando sobre prevenção à violência contra criança e adolescente, e mostrar como nós podemos ajudar e facilitar esse enfrentamento, a fim de que ele possa ocorrer da melhor forma”, explicou.

Ressocialização pela arte
Um dos momentos que mais chamaram a atenção no início do segundo dia da Conferência foi a apresentação dos internos da Fundação Renascer com a orquestra de berimbau e esquete teatral. Para o professor de capoeira, Alexsandro Gomes, a instituição utiliza a expressão cultural como forma de ressocialização. “É uma honra estar aqui hoje, porque são adolescentes que estão sob medida socioeducativa, e estão usando um instrumento da capoeira como ressocialização. É motivo de orgulho vê-los tocando tão bem, mesmo tendo tido tão pouco tempo de contato com os instrumentos”, disse.

O presidente da Fundação Renascer, Wellington Mangueira, também destacou a importância da apresentação dos socieducandos na abertura da Conferência. “Esses garotos muitas vezes não tiveram a oportunidade de expor seus talentos, intelectualidade e capacidade cognitiva, então basta que se desperte essa possibilidade, para saberem o que é certo e errado. Ficamos muito felizes por estarmos desenvolvendo esse trabalho em conjunto. Essa apresentação hoje serve para mostrar para a sociedade que esses meninos podem desenvolver talentos e que eles podem renunciar às infrações que cometeram no passado”, concluiu.

|Fotos: Pritty Reis

Última atualização: 18 de setembro de 2019 16:32.

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