Secretaria de Estado da Inclusão visita comunidade cigana de Umbaúba

Objetivo foi mapear necessidades para promover acesso às políticas públicas e mitigar vulnerabilidade social

Cerca de 30 famílias ciganas que vivem no município de Umbaúba, no Sul Sergipano, receberam a visita da Diretoria de Inclusão e Direitos Humanos (DIDH) da Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (SEIAS), através da referência técnica para Povos e Comunidades Tradicionais e População Negra, Iyá Sônia Oliveira. A visita aconteceu na última quinta-feira, 8, e o objetivo foi dialogar com os moradores e fazer um levantamento das dificuldades da comunidade, para promover ações de acesso às políticas públicas. Cerca de 200 pessoas residem no Loteamento São João, e suas principais necessidades estão relacionadas à alimentação e moradia. A SEIAS também realiza a busca ativa de comunidades ciganas em outros municípios.

A referência técnica Iyá Sônia Oliveira conta quais serão os próximos passos da secretaria estadual após a visita. “As principais necessidades estruturantes para esta comunidade neste momento de pandemia são relacionadas a alimento, moradia e ao acesso a programas governamentais. A SEIAS fará o monitoramento e vai propor à secretária municipal de Assistência Social de Umbaúba um atendimento especial para a comunidade cigana, para que o município possa reconhecer esta comunidade tradicional em seu território e que, através dessa busca ativa, eles possam ser identificados e atendidos”, disse Iyá Sônia.

Representante da comunidade, cigano Cícero Oliveira tem 64 anos e destacou a vulnerabilidade social dos habitantes do local. “Nós, ciganos, temos uma vida muito sofrida. Muitas pessoas, apesar de serem pobres, têm um quarto para morar. Nós nunca conseguimos isso e falta comida para servir de alimentação para as crianças. O pouco dinheiro que fazemos é para pagar aluguel, gás, energia e remédio. Os deputados e senadores também podiam fazer algo pelos ciganos. A gente vive na dificuldade. Precisamos de proteção e ajuda para este povo, que passa tanta necessidade aqui em Umbaúba; ninguém está aguentando mais. Sofremos muito racismo da população, somos ameaçados. Vivemos aqui há 32 anos e precisamos de ajuda; somos humanos”, enfatizou cigano Cícero.

As mulheres da comunidade também revelaram dificuldades, a exemplo da cigana Roberta Gama Oliveira, que divide a casa com outra família para conseguir pagar o aluguel. “Moro aqui há 30 anos. Na minha casa vivem duas famílias. Gostaria que muitas coisas mudassem aqui na comunidade. Somos muito precisados de cesta básica, roupas, e para o aluguel nunca temos; temos que juntar duas ou três famílias na mesma casa para conseguir pagar o aluguel. Essa visita do Governo é muito importante e acredito que vai fazer muito efeito em nossas vidas. Ser cigano é ser humano, é ser necessitado. Sentimos dor, fome”, disse a cigana Roberta. “Somos muito precisados. Gostaríamos que muita coisa mudasse para melhorar a nossa situação e condições de vida”, completou a cigana Sueli Cordeiro.

A visita da SEIAS à comunidade cigana de Umbaúba marca o Dia Internacional dos Ciganos (8 de abril), como ressalta o presidente do Instituto Cigano do Brasil – ICB, Cigano Rogério Ribeiro.  “Este encontro veio num dia propício, nesta data celebrativa. Mas, os povos ciganos sofrem violações de Direitos Humanos diariamente. É preciso mudar essa realidade e instalar políticas públicas de promoção da cidadania cigana. Por isso, ir ao encontro das comunidades em ações como esta é muito importante. Espero que as ações possam chegar a todas as comunidades ciganas de Sergipe. O Instituto Cigano do Brasil – ICB agradece o apoio da SEIAS”, concluiu o representante nacional da comunidade cigana no Brasil.

| Fotos: Pritty Reis

Última atualização: 12 de abril de 2021 11:29.

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