Roda de conversa “Bicha Preta, Eu?” encerra programação do mês da Consciência Negra

Na última sexta-feira, 29, o Espaço Zé Peixe foi palco para o encerramento da programação do Mês da Consciência Negra, promovida pelo Governo de Sergipe através da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência Social e do Trabalho (Seit). A Roda de Conversa “Bicha Preta, Eu?” finalizou a programação com um debate que contou com a participação de representantes de movimentos sociais, historiadores, sociólogos, produtores culturais, advogados, estudiosos, além de outros representantes da diversidade étnico-racial e de gênero da comunidade LGBTQI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros, Queer/Questionando, Intersexo e mais) em Sergipe.

Mediadora do debate, a referência técnica para a população LGBTQI+ da Diretoria de Inclusão e Direitos Humanos da Seit, Adriana Lohanna, ressaltou o objetivo do encontro. “O ‘Bicha Preta, Eu?” vem da necessidade de ressignificar o termo ‘bicha’ e também para levantar a questão do preconceito, passando pelo processo de assumir que nós somos bichas pretas sim, e temos orgulho disso. A ideia do encontro foi discutir o local da bicha preta na sociedade, mas também de ressignificar os jargões que são utilizados de forma pejorativa contra a gente, como ‘bicha’ e ‘viado’. O objetivo principal foi agregar e compartilhar as dores e as experiências das bichas pretas da nossa sociedade”, afirmou.

Ao longo da tarde, os participantes da roda trocaram experiências e falaram sobre formas de inclusão e visibilidade nos variados espaços da sociedade. A coordenadora estadual do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros – Fonatrans, Maluh Andrade, participou da conversa e destacou a importância do debate. “Espaços como este são fundamentais para dar visibilidade às várias formas de existência, sexualidades e identidades. Aqui pudemos ouvir as diversas vivências que temos enquanto pessoas pretas dentro da sociedade, que ainda lutam para desmistificar muitos conceitos, e construímos juntos um novo espaço, para além do lugar de marginalização”, destacou Maluh, que é também secretária geral da Associação e Movimento Sergipano de Travestis e Transexuais – Amosertrans.

O enfoque racial foi uma das principais questões abordadas durante a conversa, como conta a referência técnica para Povos e Comunidades Tradicionais da Seit, Iyá Sônia Oliveira. “A temática racial é emblemática porque nós sabemos que o racismo estrutura a sociedade, e nós temos várias especificidades relacionadas ao gênero, à orientação sexual, à raça e à etnia, às condições sociais, pois o ser humano é diverso. Nós sabemos que, dentro dessas especificidades, a condição racial também é um determinante, então, o próprio título da roda foi sugestivo e visou problematizar de maneira geral essas especificidades, para fechar as atividades do mês da Consciência Negra”, disse.

O historiador Flávio da Silva também participou da roda e destacou a importância da troca de experiências e da discussão sobre papeis políticos na sociedade. “A ideia foi falar sobre as nossas experiências, mas também trazer um conteúdo político das nossas existências, pois as nossas vivências acontecem em contexto social, político, ideológico, filosófico, e a intenção foi também tocar nesses pontos”, disse. Da mesma forma, o advogado Adriano Matos avaliou: “Precisamos nos compreender dentro de um processo histórico de um país como o Brasil, que passou por tantos anos de escravidão com uma política de branqueamento que negou a pessoas de pele clara o contato com a sua história, e acaba gerando esse questionamento interno de ‘sou uma bicha preta?’”, ressaltou o advogado.

Fotos: Pritty Reis

Última atualização: 2 de dezembro de 2019 17:57.

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