Governo finaliza inscrições para o programa Mão Amiga Cana

Na próxima terça-feira, dia 30 de abril, o governo de Sergipe conclui o processo de recolhimento das inscrições para o programa Mão Amiga – Cana 2019. O recolhimento dos formulários foi iniciado no dia 16 deste mês e, através deles, já se contabiliza cerca de 3 mil inscritos. Faltam apenas cinco municípios dos 21 que integram a região de atividade sulcroalcooleira no estado. As inscrições foram realizadas no período de 7 de março a 12 de abril e, até o momento, Capela continua mantendo a liderança anual no ranking de municípios com maior número de inscritos. Lá, 1.000 trabalhadores do corte de cana são beneficiados pelo programa, segundo dados da Coordenadoria de Transferência de Renda e Cidadania (CTRC) da Secretaria de Estado da Inclusão, da Assistência Social e do Trabalho (Seit).

Os pólos de inscrição foram os 21 municípios produtores da cana definidos pelo censo agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. São eles: Areia Branca, Capela, Divina Pastora, Japaratuba, Japoatã, Laranjeiras, Malhada dos Bois, Malhador, Maruim, Muribeca, Neópolis, Nossa Senhora das Dores, Pacatuba, Riachuelo, Rosário do Catete, Santa Rosa de Lima, Santana do São Francisco, Santo Amaro das Brotas, São Cristóvão, São Francisco e Siriri.


PAGAMENTO
Após a finalização do recolhimento de inscrições, será realizado o processo de digitação dos cadastros no sistema, para que então seja iniciado o trabalho do Banco do Estado de Sergipe. “O Banese é quem cuida da criação das contas bancárias dos beneficiários e da confecção dos cartões ‘Mão Amiga’. A entrega de cartões e novas senhas para os trabalhadores têm, este ano, previsão de acontecer entre 17 e 28 de junho”, disse Heleonora Cerqueira da Graça, coordenadora do programa na Seit.

Ainda segundo ela, o pagamento da primeira parcela do benefício está prevista para o dia 30 de junho. “Desde a edição do ano passado, o governador Belivaldo Chagas se comprometeu a priorizar a manutenção do Mão Amiga, mesmo com a dificuldade financeira do Estado, e fixou a data de pagamento do benefício para o dia 30 de cada mês, para que os trabalhadores tenham a garantia do recebimento e possam se programar para o seu uso. Desde então, o compromisso assumido vem sendo cumprido”, revelou Heleonora.

Criado em 2009 pelo Governo de Sergipe para minimizar os efeitos do desemprego que assola trabalhadores do corte da cana e da colheita da laranja no período da entressafra, o Mão Amiga é executado pela Seit com o apoio da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e das secretarias municipais de Assistência Social. O programa paga anualmente um benefício de R$ 760,00, dividido em quatro parcelas de R$ 190, a cerca de 9 mil trabalhadores rurais, considerando as duas vertentes do programa. Para os beneficiários dos 14 municípios da citricultura, o processo de inscrição está previsto para começar no próximo mês de agosto.

 

AMPLIAÇÃO
A grande novidade desta edição do Mão Amiga Cana foi a ampliação do alcance do programa, a partir da abertura da possibilidade de atender também trabalhadores do corte da cana que residem em outros municípios de Sergipe, para além dos 21 já citados. Com essa ampliação, foram beneficiados trabalhadores que moram nos municípios de Aquidabã, Gaccho Cardoso, Carira e Nossa Senhora do Socorro, mas que trabalham nos municípios produtores de cana definidos pelo IBGE. “O trabalhador residente em outro município pôde comparecer ao pólo mais próximo de sua localidade para se inscrever, bastando comprovar a atuação como cortador de cana, por meio da Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS”, explicou Heleonora.

Para a Mara Celi dos Santos, representante do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Rosário do Catete, a ampliação faz a diferença. “É uma conquista grande saber que moradores de mais municípios terão acesso a esse benefício, que é tão importante para quem fica desempregado durante a entressafra. São R$ 760 que ajudam muito em casa: dá para comprar um gás, uma cesta básica. O trabalhador rural só tem a agradecer”, disse Celi.

Para o trabalhador rural Antônio Carlos dos Santos, 56 anos, de N. Sra das Dores, a ajuda chega no momento certo. “Com certeza, ameniza o nosso sofrimento aqui na região. Com esse dinheiro, podemos comprar alimentos, pagar algumas contas. É uma grande ajuda”, revelou. O agricultor José Valmir Pereira, 50 anos, pai de sete filhos, é um dos beneficiários do município de Siriri que sofrem com a entressafra. Também para a ele, a ajuda traz um alento à família. Da mesma maneira acontece com Edberto Vieira dos Santos, que agradece o beneficio recebido. “Rezo todos os dias para que esse benefício nunca acabe. A nossa sorte é que o Mão Amiga se tornou um verdadeiro amigo nas horas que mais precisamos”.

Carla Fernanda dos Santos também trabalha como cortadora de cana. Com o marido desempregado e quatro filhos para cuidar, a trabalhadora rural afirma que o benefício é muito importante para complementar o orçamento familiar. “A situação é difícil, só melhora quando a usina chama a gente para trabalhar. Enquanto não trabalhamos, esse benefício que recebemos ajuda muito a pagar algumas contas. Além disso, é importante termos acesso às informações que são passadas nos seminários porque são importantes para desempenharmos nossas funções e melhorar nossas condições de vida. Estou muito feliz pelo benefício e pelos seminários”, ressaltou a trabalhadora rural.

SEMINÁRIOS
Os seminários aos quais a trabalhadora rural se refere são a contrapartida obrigatória dos beneficiários do programa. Eles participam dessa atividade entre o pagamento da terceira e da quarta parcela. Os ausentes têm a última parcela do benefício suspensa. Nos seminários, são abordados assuntos de seu interesse, como direitos trabalhistas e sociais, cuidados na manipualção de agrotóxicos, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e questões de saúde geral, como infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

O trabalhador rural Alisson Santos, 33 anos, acredita que os conhecimentos passados pelos seminários são fundamentais para uma melhor qualidade de vida. “A gente que trabalha na roça não tem acesso a muita informação e quando nos é passado ajuda bastante”, opinou. Da mesma maneira, Marcelo Santos Barreto, 35 anos, reconhece a importância do conhecimento adquirido nos seminários do programa. “Acho que todos os assuntos que são passados irão nos ajudar no nosso trabalho diário”, pontuou.

10 ANOS
Em 2019, o Mão Amiga completa 10 anos e a Seit pretende incrementar o programa, segundo afirma a secretária de Estado da Inclusão Social, Lêda Couto. “Acreditamos que o benefício financeiro não é suficiente. Então as edições deste ano estão sendo marcadas pela decisão – defendida inclusive pela vice-governadora Eliane Aquino – de incrementarmos o Mão Amiga. Vamos buscar agir intersetorialmente para identificar as potencialidades de cada região, capacitar e levar oportunidades para esses beneficiários. É preciso que eles tenham outras opções, para além do corte da cana e da colheita da laranja – sobretudo com a baixa que as lavouras vêm sofrendo nos últimos anos”, disse a secretária.

Ela destaca, portanto, a importância se agregar benefícios complementares ao programa, como a oferta de treinamento e capacitações, criando alternativas para que aqueles que desejem, possam ser inseridos em outros setores do mercado. “Vamos encontrar formas de aquecer a economia de cada município, identificando suas potencialidades e capacitando mão-de-obra para atender os novos setores produtivos que deverão surgir”, explicou Lêda.

|Fotos: Jorge Henrique de Oliveira, Marcelle Cristinne/ASN; e Edinah Mary/Arquivo Seit

Última atualização: 26 de abril de 2019 18:28.

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