Marcha da Consciência Negra 2019 discute “Democracia pela vida, vidas negras importam”

Representantes de órgãos públicos, movimentos sociais, povos de terreiros e sociedade civil marcharam ontem, 20, para conscientizar população sobre a luta da população negra

No Dia da Consciência Negra (20), uma Marcha, realizada pelo Fórum de Entidades Negras de Sergipe, reuniu instituições e movimentos sociais do movimento negro do Estado. Com apoio do Governo de Sergipe, através da diretoria de Direitos Humanos da Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (DIDH/Seit), o evento levantou a bandeira “Democracia pela vida – vidas negras importam”, partindo da concentração, sob a Ponte Construtor João Alves, e seguindo em caminhada até a Praça General Valadão, onde foi finalizada com apresentações culturais.

O Brasil tem a segunda maior população negra do mundo, que apresenta também os maiores índices de mortalidade por violência e de racismo religioso, conforme destacou a referência técnica para Povos e Comunidades Tradicionais da Seit, Iyá Sônia Oliveira. “Nós estamos fazendo parte de estatísticas negativas e precisamos reverter esse quadro. Precisamos observar que somos diferentes, mas que nossos direitos precisam ser iguais. O nosso país é laico e a Constituição Brasileira diz que o nosso culto tem que ser preservado e mantido pelo Estado. Não basta apenas não sermos racistas, precisamos também ser antirracistas. Precisamos estar nas ruas e marchar para conscientizar a população de que as vidas negras importam”, destacou Iyá Sônia.

Além das pautas sobre a violência contra a população negra e intolerância religiosa, a invisibilidade da mulher negra também foi abordada pelas mulheres dos coletivos que compõem o Fórum. “Estamos aqui para reivindicar, e não para comemorar. Estamos na luta resistindo e existindo. Faço parte do coletivo de dança de mulheres Gincar, dirigido por Cleanis Silva, uma das primeiras bailarinas negras do Estado. Além disso, eu sou mulher preta e mãe, e vejo a importância dessa marcha como reafirmação da nossa luta por igualdade, pela ocupação dos espaços de poder, pelo nosso lugar de fala. Essa unificação dos nossos povos é muito importante para mostrar que, apesar de sermos vistos como minoria, somos a maioria e fazemos diferença nesse país”, afirmou a bailarina Judy Ben.

Com a presença de representantes de movimentos sociais, terreiros de religiões afro-brasileiras, órgãos públicos e sociedade civil, a marcha saiu da Ponte Construtor João Alves, no Bairro Industrial, e seguiu em direção à Praça General Valadão, no Centro de Aracaju. O percurso foi embalado pelo Descidão dos Quilombolas, grupo musical sergipano. “Este é um momento ímpar. Nós sabemos as dificuldades da questão negra no Brasil, do sofrimento. Quando o povo negro se junta para reivindicar ações positivas, é fundamental estarmos presentes”, afirmou o idealizador e fundador do Descidão dos Quilombolas, Marcelo Alves dos Santos, conhecido como Mestre Neném.

Além de apresentações musicais ao longo da marcha e no palco montado na Praça General Valadão, representantes da sociedade civil e de povos de terreiro também destacaram a data como um momento de reflexão e enfrentamento ao racismo e às opressões à população negra em Sergipe. “A importância dessa marcha é para todos. Para mim, como Iyá, tem um valor fundamental, porque nós precisamos conscientizar a sociedade de que somos iguais. O mais importante não é apenas mostrar para a sociedade que nós existimos, mas sim fazê-la acreditar que nós somos importantes, como negros, como povo do axé”, relatou a Yalorixá Silvia Ribeiro de Albuquerque.

|Fotos: Pritty Reis

Última atualização: 25 de novembro de 2019 17:51.

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