Conselho Estadual da Promoção de Igualdade Racial empossa entidades representantes da sociedade civil

No Centro de Criatividade, solenidade contou com a presença de autoridades, artistas, movimentos sociais e sociedade sergipana

Na sequência das celebrações ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro), Sergipe protagonizou um momento inédito e histórico. Na segunda-feira (22), foi realizada a solenidade de posse dos 12 representantes da sociedade civil, eleitos para compor o Conselho Estadual da Promoção da Igualdade Racial de Sergipe – CEPIR/SE, no biênio 2021/2023. Realizada no auditório do Centro de Criatividade, em Aracaju, a iniciativa partiu da Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (SEIAS), através da Diretoria de Direitos Humanos (DIDH), e contou com a presença de autoridades, movimentos sociais e da sociedade civil sergipana, que prestigiaram as apresentações do Historiaencena Coletivo de Teatro Afro – H.E.C.T.A e de Mc Pardal, e o pocket show de Bruno Campos.

Presente na solenidade, a vice-governadora do Estado, Eliane Aquino, ressaltou a importância do Conselho e a luta dos movimentos negros, indígenas e ciganos por equidade de direitos. “A criação desse Conselho, mesmo com tantos anos de atraso e com os desmontes do Governo Federal, é uma vitória dos povos que carregam na alma todas as dores e lutas para resistir ao longo do tempo, uma vez que o objetivo desta entidade é a busca por garantia de direitos e fiscalização dos mesmos por parte dos representantes empossados”, afirmou Eliane.

Compondo a mesa de abertura e representando a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Sergipe, o deputado Iran Barbosa destacou o papel do Conselho para a sociedade. “Estamos vivendo um momento em que os Conselhos tem sido atacados e desestruturados, e é fundamental que as pessoas saibam que os conselhos representativos do Governo do Estado e da sociedade civil têm um papel importante, inclusive no exercício da democracia. Ou seja, a existência dos Conselhos é uma forma de participação direta da sociedade na definição das políticas públicas que o estado tem que implementar”, complementou o deputado.

Diversidade

Realizado pela DIDH da SEIAS, o processo de composição do Conselho para enfrentamento ao racismo foi exaltado pela diretora de Inclusão e Direitos Humanos da SEIAS, Lídia Anjos. “Esse é um momento histórico e eu quero parabenizar a resistência dos movimentos sociais por essa conquista. É tempo de fazer enfrentamento ao racismo estrutural, é tempo de estarmos juntos nesta luta antirracista, que contempla a diversidade e pluralidade de povos e etnias que compõem esse Conselho eleito”, disse.

Um destaque importante pontuado pelos presentes foi a inclusão dos povos ciganos na composição do Conselho. A representante do Instituto de Cultura, Desenvolvimento Social e Territorial do Povo Cigano, Valda Sousa, falou sobre a representatividade da inserção. “Para a nossa comunidade, ocupar uma vaga no Conselho representa ser visto pelo poder público, porque o povo cigano é estigmatizado, as pessoas têm medo. Fazer parte desse Conselho é muito importante, pois eu acredito que as coisas mudarão para o nosso povo. Estando no Conselho, vamos poder cobrar por igualdade e respeito ao nosso povo e garantir que tenhamos os mesmos direitos que todos os outros”, disse Valda.

A referência técnica para Povos e Comunidades Tradicionais e População Negra da SEIAS, Iyá Sônia Oliveira, que acompanhou todo o processo, pontuou que celebrar essa conquista é significativo para quem faz parte desta trajetória. “Neste percurso, órgãos PIR (Promoção de Igualdade Racial) foram criados no estado, a exemplo do município de Laranjeiras, de Barra dos Coqueiros, de São Cristóvão e Riachuelo, e estamos fazendo tantas outras tentativas de organização de uma política de Promoção de Igualdade Racial em Sergipe. É necessário que a luta antirracista ecoe em todos os lugares e precisamos desmistificar o racismo em todas as suas concepções, por isso estamos trabalhando bastante o racismo institucional”, concluiu Iyá Sônia.

Confira abaixo a relação das 12 entidades da sociedade civil que fazem parte da primeira composição do CEPIR, biênio 2021/2023:

• Movimento Negro Unificado;

• Sociedade de Estudos e Pesquisa Sócio, Étnicos, Políticos, Sociais e Culturais Omolàiyé;

• Centro de Candomblé Abaçá Obanirá;

• Criliber – Criança e Liberdade;

• Auto-organização de Mulheres Negras de Sergipe Rejane Maria;

• Coletivo Beatriz Nascimento;

• Instituto de Cultura, Desenvolvimento Social e Territorial do Povo Cigano;

• Conselho Regional de Psicologia 19ª região/SE;

• Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe – SINTESE

• Instituto dos Direitos do Povo do Estado de Sergipe – IDPESE;

• Hecta – História Encena Coletivo de Teatro Negro;

• Sociedade Brasileira de Contabilidade.

Fotos: Danillo França

Última atualização: 24 de novembro de 2021 13:23.

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